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Trocando facilidades por autonomia inteligente

O leitor Bruno Leal fez uma crítica interessante ao post em que requentei a campanha Troque Seu Orkut Por um Blog, lançada no ano passado pelo Roberto Taddei. Ele menciona um possível elitismo na proposta, e apesar de já haver respondido ao comentário, algumas movimentações na blogosfera me fazem voltar ao assunto. Começando com o colega Ronaldo Lemos que, enquanto não tem um blog, continua refém da formatação que as editorias da mídia fazem de sua mensagem. O depoimento dele ao JB na matéria sobre previsões tecnológicas para 2008 diz assim:
Lemos cita o MySpace, que agora tem um portal em português, especialmente dedicado ao Brasil, e o Facebook, que, segundo ele, já começa a atrair um número significativo de brasileiros, como os principais adversários do Orkut em 2008. Com a demanda no setor ainda alta, também haverá espaço para novos projetos de redes sociais, com oportunidades, inclusive, para empresas nacionais que decidirem apostar no filão.
Será mesmo que a ameaça ao Orkut no Brasil vai ser alavancada por outros que tais como MySpace, Facebook, etc? Tenho para mim que a escala da experiência brasileira com o Orkut nos coloca à frente das tendências globais em termos de redes sociais. Explico: o que os norte-americanos experimentam como novidade hoje com o Facebook -- a sensação de que 'todo mundo está lá' -- já acontece entre nós com o Orkut há pelo menos 2 anos.

Ou seja, considero que estamos em melhores condições de enxergar como estes silos e 'jardins murados' (walled gardens) constituem uma enorme perda em termos de oportunidades na web, e assim optar pelas possibilidades que certamente irão explodir em 2008. Os indícios do fenômeno de abertura das redes sociais aconteceram de forma clara no segundo semestre do ano passado, e definem as tendências para o ano que entra. Aqui vão algumas indicações:
  • Portabilidade de Dados - a turma das redes sociais irá cada vez mais enxergar o valor da possibilidade de levar arquivos e contatos de seu profile de um site / serviço / rede social para outro, ou de definir o que desejamos fazer com os dados interagindo com outros serviços da rede.
  • Portabilidade da Identidade - projetos como o OpenID começam a mostrar como o mundo digital pode funcionar sem que tenhamos que ser novamente 'identificados' em cada um dos diferentes 'silos' da web.
  • O lançamento do OpenSocial pelo Google.
  • O lançamento do Android como sistema operacional open source para celulares.
  • O surgimento de novas idéias na web (como o Dapper) especializadas em 'importar' (extrair?) a informação aprisionada nos 'silos' da web. Veja um interessante tutorial demonstrando possibilidades.
  • Novas ferramentas de agregação pessoal e publicação de informações (Lifestreaming apps, ou blogs 2.0, ou sei lá o que...) como o Tumblr, e ainda os radicais Onaswarm, Lifestrea.ms e Soup, apresentam possibilidades inéditas na customização de espaços pessoais na web.
  • O lançamento de aplicações para registro pessoal de sua movimentação na rede, como o Weave da Mozilla, e o sucesso de padrões como o APML -- um OPML que registra dados de atenção para sites, blogs, palavras pesquisadas, etc. -- além de várias outras iniciativas sobre as quais você pode se informar melhor em sites como o DataPortability.org.
Hoje o Techmeme (leitura obrigatória para blogueiros) relata em super destaque o fato do Facebook ter desabilitado a conta de Robert Scoble (uber blogger e grande entusiasta da rede social, até agora), e o motivo é ele haver rodado um script para captura de dados ligados ao seu perfil. O debate é interessante principalmente porque nos leva à Carta dos Direitos de usuários da Web Social, da qual Scoble é um dos principais promotores, e que em seus itens mais importantes afirma:
Declaramos publicamente que todos os usuários da web social têm direito:
1) Propriedade da sua informação pessoal, incluindo:
- os dados de seu perfil
- a lista das pessoas a que estão ligados [lista de contatos]
- o fluxo de conteúdo que ele criou

2) Controle de quando e como essa informação pessoal é compartilhada com outros. E liberdade de conceder acesso a sua informação pessoal a sites externos de confiança.
A pergunta é: tem alguém aí que discorda de tais direitos? As redes sociais como as conhecemos hoje tiveram um grande papel na disseminação das possibilidades de comunicação e publicação da web. Algo assim como a AOL, que nos primeiros tempos da rede tratou de 'ensinar' o usuário comum a utilizar e-mail e visitar websites (escolhidos pela AOL). Mas não levou muito tempo para que estes mesmos usuários percebessem que a verdadeira web pulsava além dos muros do portal, e se procurarmos pelo que restou da AOL hoje teremos a exata noção do que pode acontecer a um gigante de web que não acompanha o movimento de seu público.

Acredito que em 2008 estamos no limiar de mais um salto qualitativo dos usuários da web, e talvez a campanha "Troque Seu Orkut Por Um Blog" precise mesmo de uma atualização. Algo assim como: "Troque as Facilidades em Espaço Restrito por uma Autonomia Inteligente na Web Aberta". Mas aí não tem o mesmo apelo... ;-)

UPDATE (07/02/2008): O Bruno Leal acaba de lançar uma rede social voltada para estudantes, professores, pesquisadores e amantes de História, utilizando o Ning: Visite o Café História.

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