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Impressão

Guia Foca GNU/Linux

Capítulo 13 - Impressão



Este capitulo descreve como imprimir em seu sistema GNU/Linux e as formas de impressão via spool, rede, gráfica, etc.



Antes de seguir os passos descritos neste capítulo, tenha certeza que seu kernel foi compilado com o suporte a impressora paralela ativado, caso contrário até mesmo a impressão direta para a porta de impressora falhará. .

13.1 Portas de impressora



Uma porta de impressora é o local do sistema usado para se comunicar com a impressora. Em sistemas GNU/Linux, a porta de impressora é identificada como lp0, lp1, lp2 no diretório /dev, correspondendo respectivamente a LPT1, LPT2 e LPT3 no DOS e Windows. Recomendo que o suporte a porta paralela esteja compilado como módulo no kernel.

13.2 Imprimindo diretamente para a porta de impressora



Isto é feito direcionando a saída ou o texto com > diretamente para a porta de impressora no diretório /dev.



Supondo que você quer imprimir o texto contido do arquivo trabalho.txt e a porta de impressora em seu sistema é /dev/lp0, você pode usar os seguintes comandos:



* cat trabalho.txt >/dev/lp0 - Direciona a saída do comando cat para a impressora.

* cat /dev/lp0. Faz a mesma coisa que o acima.

* cat -n trabalho.txt >/dev/lp0 - Numera as linhas durante a impressão.

* head -n 30 trabalho.txt >/dev/lp0 - Imprime as 30 linhas iniciais do arquivo.

* cat trabalho.txt|tee /dev/lp0 - Mostra o conteúdo do cat na tela e envia também para a impressora.



Os métodos acima servem somente para imprimir em modo texto (letras, números e caracteres semi-gráficos).

13.3 Imprimindo via spool



A impressão via spool tem por objetivo liberar logo o programa do serviço de impressão deixando um outro programa especifico tomar conta. Este programa é chamado de daemon de impressão, normalmente é o lpr ou o lprng (recomendado) em sistemas GNU/Linux.



Logo após receber o arquivo que será impresso, o programa de spool gera um arquivo temporário (normalmente localizado em /var/spool/lpd) que será colocado em fila para a impressão (um trabalho será impresso após o outro, em seqüência). O arquivo temporário gerado pelo programa de spool é apagado logo após concluir a impressão.



Antes de se imprimir qualquer coisa usando os daemons de impressão, é preciso configurar os parâmetros de sua impressora no arquivo /etc/printcap. Um arquivo /etc/printcap para uma impressora local padrão se parece com o seguinte:



lp|Impressora compatível com Linux

:lp=/dev/lp0

:sd=/var/spool/lpd/lp

:af=/var/log/lp-acct

:lf=/var/log/lp-errs

:pl#66

:pw#80

:pc#150

:mx#0

:sh



É possível também compartilhar a impressora para a impressão em sistemas remotos, isto será visto em uma seção separada neste guia.



Usando os exemplos anteriores da seção Imprimindo diretamente para uma porta de impressora, vamos acelerar as coisas:



* cat trabalho.txt |lpr - Direciona a saída do comando cat para o programa de spool lpr.

* cat
* cat -n trabalho.txt |lpr - Numera as linhas durante a impressão.

* head -n 30 trabalho.txt |lpr - Imprime as 30 linhas iniciais do arquivo.



A fila de impressão pode ser controlada com os comandos:



* lpq - Mostra os trabalhos de impressão atuais

* lprm - Remove um trabalho de impressão



Ou usado o programa de administração lpc para gerenciar a fila de impressão (veja a página de manual do lpc ou digite ? ao iniciar o programa para detalhes).

13.4 Impressão em modo gráfico



A impressão em modo gráfico requer que conheça a marca e modelo de sua impressora e os métodos usados para imprimir seus documentos. Este guia abordará somente a segunda recomendação :-)

13.4.1 Ghost Script



O método mais usados pelos aplicativos do GNU/Linux para a impressão de gráficos do Ghost Script. O Ghost Script (chamado de gs) é um interpretador do formato Pos Script (arquivos .ps) e pode enviar o resultado de processamento tanto para a tela como impressora. Ele está disponível para diversas plataformas e sistema operacionais além do GNU/Linux, inclusive o DOS, Windows, OS/2, etc.



O formato .ps esta se tornando uma padronização para a impressão de gráficos em GNU/Linux devido a boa qualidade da impressão, liberdade de configuração, gerenciamento de impressão feito pelo gs e por ser um formato universal, compatíveis com outros sistemas operacionais.



Para imprimir um documento via Ghost Script, você precisará do pacote gs, gsfonts (para a distribuição Debian e distribuições baseadas, ou outros de acordo com sua distribuição Linux) e suas dependências. A distribuição Debian vem com vários exemplos Pos Script no diretório /usr/share/doc/gs/example que são úteis para o aprendizado e testes com o Ghost Script.



Hora da diversão:



* Copie os arquivos tiger.ps.gz e alphabet.ps.gz do diretório /usr/share/doc/gs/examples (sistemas Debian) para /tmp e descompacte-os com o comando gzip -d tiger.ps.gz e gzip -d alphabet.ps.gz. Se a sua distribuição não possui arquivos de exemplo ou você não encontra nenhuma referência de onde se localizam, mande um e-mail que os envio os 2 arquivos acima (são 32Kb).

* O Ghost Script requer um monitor EGA, VGA ou superior para a visualização dos seus arquivos (não tenho certeza se ele funciona com monitores CGA ou Hércules Monocromático) .



Para visualizar os arquivos na tela digite:



gs tiger.ps

gs alphabet.ps



Para sair do Ghost Script pressione CTRL+C. Neste ponto você deve ter visto um desenho de um tigre e (talvez) letras do alfabeto.



Se o comando gs alphabet.ps mostrou somente uma tela em branco, você se esqueceu de instalar as fontes do Ghost Script (estão localizadas no pacote gsfonts na distribuição Debian).

* Para imprimir o arquivo alphabet.ps use o comando:



gs -q -dSAFER -dNOPAUSE -sDEVICE=epson -r240x72 -sPAPERSIZE=legal -sOutputFile=/dev/lp0

alphabet.ps



O arquivo alphabet.ps deve ser impresso. Caso aparecerem mensagens como Error: /invalidfont in findfont no lugar das letras, você se esqueceu de instalar ou configurar as fontes do Ghost Script. Instale o pacote de fontes (gsfonts na Debian) ou verifique a documentação sobre como configurar as fontes.



Cada uma das opções acima descrevem o seguinte:

o -q, -dQUIET - Não mostra mensagens de inicialização do Ghost Script.

o -dSAFER - É uma opção para ambientes seguros, pois desativa a operação de mudança de nome e deleção de arquivo e permite somente a abertura dos arquivos no modo somente leitura.

o -dNOPAUSE - Desativa a pausa no final de cada página processada.

o -sDEVICE=dispositivo - Dispositivo que receberá a saída do Ghost Script. Neste local pode ser especificada a marca o modelo de sua impressora ou um formato de arquivo diferente (como pcxmono, bmp256) para que o arquivo .ps seja convertido para o formato designado.



Para detalhes sobre os dispositivos disponíveis em seu Ghost Script, digite gs --help|less ou veja a página de manual. Normalmente os nomes de impressoras e modelos são concatenados, por exemplo, bjc600 para a impressora Canon BJC 600, epson para impressoras padrão epson, stcolor para Epson Stylus color, etc.



O Hardware-HOWTO contém referências sobre hardware suportados pelo GNU/Linux, tal como impressoras e sua leitura pode ser útil.

o -rx - Define a resolução de impressão (em dpi) Horizontal e Vertical. Os valores dependem de sua impressora.

o -sPAPERSIZE=tamanho - Tamanho do papel. Podem ser usados a4, legal, letter, etc. Veja a página de manual do gs para ver os outros tipos suportados e suas medidas.

o -sOutputFile=dispositivo - Dispositivo que receberá a saída de processamento do gs. Você pode especificar

+ arquivo.epson - Nome do arquivo que receberá todo o resultado do processamento. O arquivo.epson terá toda a impressão codificada no formato entendido por impressoras epson e poderá ser impresso com o comando cat arquivo.epson >/dev/lp0.



Uma curiosidade útil: É possível imprimir este arquivo em outros sistemas operacionais, tal como o DOS digitando: copy /b arquivo.eps prn (lembre-se que o DOS tem um limite de 8 letras no nome do arquivo e 3 na extensão. Você deve estar compreendendo a flexibilidade que o GNU/Linux e suas ferramentas permitem, isso é só o começo.

+ impressao%d.epson - Nome do arquivo que receberá o resultado do processamento. Cada página será gravada em arquivos separados como impressao1.epson, impressao2.epson.



Os arquivos podem ser impressos usando os mesmos métodos acima.

+ /dev/lp0 para uma impressora em /dev/lp0

+ - para redirecionar a saída de processamento do gs para a saída padrão. É útil para usar o gs com pipes |.

+ \|lpr - Envia a saída do Ghost Script para o daemon de impressão. O objetivo é deixar a impressão mais rápida.



Se você é curioso ou não esta satisfeito com as opções mostradas acima, veja a página de manual do gs.



13.5 Magic Filter



O Magic Filter é um filtro de impressão inteligente. Ele funciona acionado pelo spool de impressão (mais especificamente o arquivo /etc/printcap) e permite identificar e imprimir arquivos de diversos tipos diretamente através do comando lpr arquivo.



É um ótimo programa e ALTAMENTE RECOMENDADO se você deseja apenas clicar no botão imprimir e deixar os programas fazerem o resto :-) A intenção do programa é justamente automatizar os trabalhos de impressão e spool.



A maioria dos programas para ambiente gráfico X11, incluindo o Netscape, Word Perfect, Gimp e Star Office trabalham nativamente com o magicfilter.

13.5.1 Instalação e configuração do Magic Filter



O Magic Filter é encontrado no pacote magicfilter da distribuição Debian e baseadas.



Sua configuração pode ser feita com o programa magicfilterconfig que torna o processo de configuração rápido e fácil para quem não conhece a sintaxe do arquivo /etc/printcap ou não tem muitas exigências sobre a configuração detalhada da impressora.



Após instalar o magicfilter reinicie o daemon de impressão (se estiver usando a Debian, entre no diretório /etc/init.d e como usuário root digite ./lpr restart ou ./lprng restart).



Para testar o funcionamento do magicfilter, digite lpr alphabet.ps e lpr tiger.ps, os arquivos serão enviados para o magicfilter que identificará o arquivo como Pos Script, executará o Ghost Script e retornará o resultado do processamento para o daemon de impressão. O resultado será visto na impressora.



Se tiver problemas, verifique se a configuração feita com o magicfilterconfig está correta. Caso precise re-configurar o magicfilter, digite magicfilterconfig --force (lembre-se que a opção --force substitui qualquer configuração personalizada que tenha adicionado ao arquivo /etc/printcap).

13.5.2 Outros detalhes técnicos sobre o Magic Filter



Durante a configuração do magicfilter, a seguinte linha é adicionada ao arquivo /etc/printcap:



:if=/etc/magicfilter/epson9-filter



Não tenho nenhum contrato de divulgação com a epson :-) estou usando esta marca de impressora porque é a mais tradicional e facilmente encontrada. A linha que começa com :if no magicfilter identifica um arquivo de filtro de impressão.



O arquivo /etc/magicfilter/epson9-filter é criado usando o formato do magicfilter, e não é difícil entender seu conteúdo e fazer algumas modificações:



#! /usr/sbin/magicfilter

#

# Magic filter setup file for 9-pin Epson (or compatible) printers

#

# This file is in the public domain.

#

# This file has been automatically adapted to your system.

#

# wild guess: native control codes start with ESC

0 \033 cat



# PostScript

0 %! filter /usr/bin/gs -q -dSAFER -dNOPAUSE -r120x72 -sDEVICE=epson -sOutputFile=- - -c quit

0 \004%! filter /usr/bin/gs -q -dSAFER -dNOPAUSE -r120x72 -sDEVICE=epson -sOutputFile=- - -c quit



# PDF

0 %PDF fpipe /usr/bin/gs -q -dSAFER -dNOPAUSE -r120x72 -sDEVICE=epson -sOutputFile=- $FILE -c quit



# TeX DVI

0 \367\002 fpipe /usr/bin/dvips -X 120 -Y 72 -R -q -f



# compress'd data

0 \037\235 pipe /bin/gzip -cdq



# packed, gzipped, frozen and SCO LZH data

0 \037\036 pipe /bin/gzip -cdq

0 \037\213 pipe /bin/gzip -cdq

0 \037\236 pipe /bin/gzip -cdq

0 \037\240 pipe /bin/gzip -cdq



0 BZh pipe /usr/bin/bzip2 -cdq



# troff documents

0 .\?\?\040 fpipe `/usr/bin/grog -Tps $FILE`

0 .\\\" fpipe `/usr/bin/grog -Tps $FILE`

0 '\\\" fpipe `/usr/bin/grog -Tps $FILE`

0 '.\\\" fpipe `/usr/bin/grog -Tps $FILE`

0 \\\" fpipe `/usr/bin/grog -Tps $FILE`



Você deve ter notado que para cada tipo de arquivo existe o respectivo programa que é executado, basta você modificar as opções usadas nos programas neste arquivo (como faria na linha de comando) para afetar o comportamento da impressão.



Por exemplo, modificando a resolução para -r240x72 no processamento de arquivos Pos Script (gs), a impressora passará a usar esta resolução.

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